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Saiba mais (inferior)

por ASCOM publicado 23/06/2017 15h17, última modificação 24/08/2018 15h24

A atividade econômica da bacia do rio Doce é bastante diversificada, destacando-se a agropecuária, agroindústria sucroalcooleira; a mineração (ferro, ouro, bauxita, manganês, pedras preciosas e outros); a indústria (celulose, siderurgia e laticínios); o comércio e serviços de apoio aos complexos industriais; e a geração de energia elétrica.

As nascentes do rio Doce estão em Minas Gerais, nas serras da Mantiqueira e do Espinhaço, sendo que suas águas percorrem cerca de 850 km até atingir o oceano Atlântico, junto ao povoado de Regência, Espírito Santo. Seus principais rios são: pela margem esquerda, rio do Carmo, Piracicaba, Santo Antônio, Corrente Grande, Suaçuí Grande, São José e Pancas; pela margem direita, rio Casca, Matipó, Caratinga/Cuieté, Manhuaçu, Guandu, Santa Joana e Santa Maria do rio Doce.

O regime pluviométrico da bacia é caracterizado por dois períodos bem distintos. O período chuvoso que se estende de outubro a março, com maiores índices no mês de dezembro, no qual a precipitação varia de 800 a 1.300 mm; e o período seco que se estende de abril a setembro, com estiagem mais crítica de junho a agosto, com precipitação variando entre 150 a 250 mm.

O relevo da bacia é forte ondulado a montanhoso (bastante acidentado), sendo por isso caracterizado como um “mar de morros”. Essa característica orográfica condicionou a produção do espaço urbano, que se concentrou junto ao talvegue dos cursos de água, em áreas suscetíveis a inundações.

Apesar de ser uma região de precipitação média anual da ordem de 900 a 1500 mm, no verão úmido, o deslocamento da frente fria provoca precipitações que alimentam os cursos de água por vários dias provocando as enchentes e inundações. Portanto, a bacia possui suscetibilidade à ocorrência de cheias, principalmente, em zonas urbanas ao longo do curso do rio Doce e de alguns afluentes, sendo que os impactos são maiores quando não há gestão.

As inundações, que constituem um grande problema para a bacia do rio Doce, são registradas no período chuvoso, de outubro a março, principalmente nos meses de dezembro a fevereiro. O desmatamento generalizado e o mau uso dos solos têm conduzido a um intenso processo de erosão na região cujo sedimentos resultantes tendem a assorear os cursos de água e modificar a capacidade de infiltração e armazenamento da água no solo.

Para a minimização deste problema foi criado, na década de 90, o Sistema de Alerta de Enchentes na bacia do rio Doce, sendo esse sistema uma medida não estrutural adotada na minimização de prejuízos causados por cheias. Os municípios beneficiados pelo sistema de alerta são: Ponte Nova, Nova Era, Antônio Dias, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga, Governador Valadares, Tumiritinga, Itueta, Resplendor, Galiléia, Conselheiro Pena, Aimorés, Baixo Guandu, Colatina e Linhares. Ele monitora os rios Piranga, Piracicaba e Doce e é operado pela CPRM.

A bacia do rio Doce apresenta um importante potencial hidrelétrico, setor que apresentou uma intensa dinâmica de implantação de novos empreendimentos nos últimos dez anos. Os principais reservatórios instalados na bacia são:

1)      Rio Doce: Candonga, Baguari, Aimorés e Mascarenhas;

2)      Rio Santo Antônio: Salto Grande e Porto Estrela; e

3)      Rio Piracicaba: Guilman-Amorim e São Carvalho

Todos os aproveitamentos listados, à exceção de Porto Estrela, são a fio d’água. Portanto, os seus reservatórios não têm, por definição, volume útil. Por atenderem a demandas de pico, estes aproveitamentos são submetidos a deplecionamentos diários. O monitoramento dos reservatórios realizado pela ANA é um meio para se reduzir os danos quando da ocorrência de cheias. Para conhecer os principais dados dos reservatórios, seja cotas ou volumes mínimo e máximo operacional, seja restrições operativas, entre nos boletins da ANA.

Desastre de Mariana

A barragem de rejeitos de Fundão, da mineradora Samarco, que pertence à Vale e à empresa anglo-australiana BHP Billiton, localizada em Mariana (MG), rompeu no dia 5 de novembro de 2015. A onda atingiu a barragem de Santarém, situada à jusante e galgou-a, alcançando as povoações de Bento Rodrigues e Barra Longa nas margens no rio Gualaxo do Norte; passou pelo rio do Carmo, atingiu o rio Doce e, após 16 dias percorrendo aproximadamente 660 km, alcançou o mar em 21 de novembro de 2016, em Regência, Município de Linhares (ES).

A partir do dia 6 de novembro de 2015, a ANA e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) realizaram campanhas especiais de monitoramento da qualidade das águas do rio Doce, e também dos sedimentos oriundos do rompimento da barragem, comparando os resultados com prospecção geoquímica realizada em 2010 na mesma região, gerando relatórios divulgados nesta página. O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) também iniciou monitoramento especial a partir do dia 7 de novembro, em 12 pontos do curso principal do rio, e consolidou relatórios técnicos, também divulgados nesta página. Outras instituições, como o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espirito Santo (IEMA) e as Usinas Hidrelétricas (UHEs) localizadas no curso principal do rio, também vem realizando análises referentes à qualidade da água do rio Doce.

O evento foi considerado como o maior desastre ambiental da história do Brasil e o pior acidente com barragens de rejeitos já registrado no mundo.