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ANA contrata novo Atlas Abastecimento Urbano de Águas

publicado: 22/08/2018 18h14 última modificação: 26/09/2018 11h15
Raylton Alves / Banco de Imagens ANA Diretor da Área de Planejamento da ANA (centro) conduz reunião sobre novo Atlas

Diretor da Área de Planejamento da ANA (centro) conduz reunião sobre novo Atlas

A Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos deu início à atualização do Atlas Brasil Abastecimento Urbano de Água, que vai atualizar o estudo da situação do oferta de água em todo o País em 2020, com projeções para 2025 e 2035 dos sistemas produtores de água e da oferta para os 5.572 munícipios atualmente existentes, que totalizam uma população urbana de cerca de 174,2 milhões de habitantes (IBGE 2016). Para os municípios com população superior a 250 mil habitantes, será considerada a projeção para o ano de 2050.

A última versão do Atlas Abastecimento, divulgada em março de 2011, revelou que dos 5.565 municípios brasileiros então existentes, 55% poderiam sofrer déficit no abastecimento de água até 2035. Desses, 84% necessitavam de investimentos para adequação de seus sistemas produtores e 16% precisam de novos mananciais. O levantamento, inédito em todo o País, mostrou as demandas urbanas, à disponibilidade hídrica dos mananciais, à capacidade dos sistemas de produção de água, e revelou que 3.059, ou 55% dos municípios, que respondiam por 73% da demanda por água do País, precisavam de investimentos prioritários que requeriam recursos da ordem de R$ 22,2 bilhões, na época.

“Esse é um estudo que não pode morrer. Tem que ser atualizado periodicamente”, disse o diretor de Planejamento de recursos Hídricos da ANA, Marcelo Cruz. Segundo ele, com o novo levantamento, será possível medir quanto dos investimentos necessários foram realizados desde a primeira edição do Atlas, além de atualizar as necessidades e o quadro atual. Marcelo Cruz lembrou que o estudo anterior apontava as Regiões Metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro como uma das mais vulneráveis a possíveis crises hídricas, o que se confirmou em 2014 e 2015, quando os principais sistemas produtores de água dessas regiões (Cantareira e  Paraíba do Sul) operaram com regras especiais e chegaram a usar suas reservas estratégicas (volume morto).

A nova versão do Atlas incorpora o conceito de segurança hídrica para o diagnóstico da situação atual, o planejamento e a indicação das medidas estruturantes e de gestão aos municípios, compartilhadas no caso de mananciais e sistemas de produção de água que atendem de forma integrada população superior a 250 mil habitantes. Será avaliado ainda o monitoramento quali-quantitativo existente dos mananciais e dos sistemas de produção de água com a proposição de adequações da rede de monitoramento e ações institucionais que permitam o acompanhamento sistemático da situação da oferta de água das sedes municipais abastecidas por corpos d’água de domínio da União ou cujos sistemas atendam população superior a 250 mil habitantes.

O contrato do serviço de atualização do Atlas, com as empresas consorciadas Engecorps Engenharia S.A, TPF engenharia Ltda e Profill Engenharia e Ambiente, tem prazo de 24 meses de execução.

Aplicativo Água e Esgoto

Aplicativo desenvolvido pela ANA e lançado em junho permite que qualquer pessoa com um dispositivo móvel, smartphone ou tablet conectado à internet conheça em detalhes a situação do sistema produtor de água e do manancial que abastece cada cidade brasileira, além da coleta e do tratamento dos esgotos. Compatível com os sistemas Android e IOS, o App Água e Esgoto está disponível para download gratuito na Play Store e na App Store.

Sobre a situação dos esgotos, o aplicativo apresenta dados municipais das populações atendidas com coleta e tratamento de esgotos, somente com coleta, sem nenhum dos dois serviços e por fossas sépticas, além da carga de esgotos gerada e a remanescente após o tratamento. Além disso, a ferramenta mostra qual é a capacidade de diluição do principal corpo d’água receptor de esgotos daquele município e o desenho do sistema atual de coleta e tratamento de esgotos da localidade, além das alternativas técnicas e investimentos necessários para assegurar a adequada coleta e tratamento de esgotos em cada município até 2035. Ao selecionar o município é possível ainda acessar o croqui (desenho esquemático) da situação existente e melhorias propostas para sistema de esgotamento sanitário, incluindo o caminho percorrido pelos esgotos, tratados ou não, até os corpos receptores. O Atlas Esgoto, divulgado em setembro de 2017, revelou que 45% dos brasileiros não têm acesso a tratamento de esgoto e 3.738 municípios sem estação de tratamento. É preciso investir R$ 149,5 bilhões em coleta e tratamento até 2035 para universalizar os serviços e aumentar a segurança hídrica das cidades considerando a qualidade da água nos rios, já que Apenas 39% da carga orgânica é removida das mais de nove mil toneladas de esgotos gerados diariamente no Brasil.

Com relação ao abastecimento urbano de água, o aplicativo informa a avaliação da oferta e da demanda de água potável e a necessidade de investimentos para que cada município possa oferecer água suficiente para seus habitantes até 2025. O usuário também encontra imagens que ilustram os sistemas de abastecimento existentes e melhorias propostas pela ANA. Para o Nordeste, também está disponível o nível atual dos cerca de 500 reservatórios que a Agência Nacional de Águas monitora.

O aplicativo consolida informações do Brasil inteiro produzidas nos estudos Atlas Esgoto (lançado em 2017) e Atlas Abastecimento Urbano de Águas (lançado em 2011) e suas informações serão atualizadas à medida que novos levantamentos sejam concluídos. O app oferece ainda o nível de armazenamento de cerca de 500 reservatórios que a ANA monitora no Nordeste.