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Água: Exposição Itinerante comemora em Brasília 10 anos do WWF-Brasil

por ASCOM/ANA publicado 09/08/2006 00h00, última modificação 14/03/2019 16h34
A ONG ambientalista WWF-Brasil comemora, este mês, dez anos de existência como organização brasileira e, como parte das comemorações, traz a Brasília a Exposição Itinerante Água para a Vida, Água para Todos. A exposição, montada em uma carreta, ocupa uma área de 200m² e tem por objetivo sensibiliza
A ONG ambientalista WWF-Brasil comemora, este mês, dez anos de existência como organização brasileira e, como parte das comemorações, traz a Brasília a Exposição Itinerante Água para a Vida, Água para Todos. A exposição, montada em uma carreta, ocupa uma área de 200m² e tem por objetivo sensibilizar crianças e jovens para a questão da água no Brasil e no mundo. Jogos, brincadeiras, vídeos e exposições compõem a iniciativa, que faz parte da campanha nacional Água para a Vida, Água para Todos, do WWF-Brasil.

A exposição, no Jardim Zoológico, no Estacionamento do Teatro de Arena, será lançada no dia 11 de agosto às 10h, e permanecerá na cidade até o dia 4 de setembro. Ela estará aberta à visitação de segunda a sexta, com agendamento prévio de grupos de até 30 crianças. Aos Sábados e Domingos, a visitação é livre. As visitas podem ser agendadas pelo site www.wwf.org.br/agua.

Realizada em parceria com a Agência Nacional das Águas (ANA) e HSBC, e apoio da Iveco, a exposição já visitou cinco das dez cidades, que a receberão nas cinco regiões brasileiras. A mostra já esteve em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Até o momento, mais de 31 mil pessoas já participaram da exposição, que recebeu o apoio de mais de 200 voluntários.

"O WWF-Brasil se apresenta como instituição utilizando um dos mais completos meios de comunicação, uma exposição, com todas as características sensoriais. Ela estimula as crianças e jovens por meio dos cinco sentidos", explicou a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

PREOCUPAÇÕES

Samuel Barrêto, coordenador do Programa Água para a Vida, fez uma rápida avaliação da situação das águas na região já visitada pela Exposição Itinerante e destacou a fragilidade da situação dos recursos hídricos. “Os efeitos da poluição, do desmatamento, da ocupação desordenada das cidades, da erosão, do assoreamento dos corpos d’água, do descaso público ameaçam a integridade do rico ecossistema aquático no Brasil”, disse Barrêto.

Segundo o biólogo, esses aspectos têm gerado disputa e conflito pelo uso da água entre diversas atividades produtivas e reduzido o desempenho econômico do país, a geração de emprego, renda e inclusão social. “Embora o Brasil tenha muita água, a sua distribuição geográfica é irregular. As Regiões Sul e Sudeste possuem, respectivamente, 7% e 6% de toda a água existente no País, mas abrigam aproximadamente 52% da população, ou seja, mais de 97 milhões de brasileiros” explicou.

Samuel destacou os seguintes tópicos como exemplos de má gestão e uso dos recursos hídricos:

A vulnerabilidade das áreas de mananciais de abastecimento público

A falta de mapeamento das áreas de risco coloca a população em perigo e compromete o combate a desastres como o vazamento de produtos tóxicos. O mapeamento das áreas de risco daria subsídios para uma ação preventiva dos comitês, que poderiam atuar em parceria com os órgãos do poder público e com a sociedade civil.

O desmatamento nas áreas de mananciais

Nas regiões tropicais e subtropicais, a conservação de mananciais e rios está diretamente relacionada com a proteção e o bom manejo das áreas florestais; se bem manejadas, as áreas florestais trazem benefícios diretos para a população e para os setores produtivos no que se refere à quantidade e qualidade de água e manutenção da biodiversidade.

O lançamento de esgoto diretamente nos corpos hídricos

Embora as Regiões Sul e Sudeste tenham o maior percentual de domicílios com abastecimento no Brasil, com respectivamente 91 e 94%, a situação com relação à coleta e tratamento do esgoto é crítica. No sul esse percentual não chega aos 20%.

Os bolsões de pobreza – O caso da cidade de São Paulo

Estudo realizado pela Prefeitura de São Paulo mostrou que, a cada oito dias, surge uma nova favela na cidade. De 1991 a 2000, apareceram 464 áreas irregulares no município, que se somaram as 1.975 existentes. O preocupante é o crescimento consistente da população nessas áreas que, na última década, foi de 30% contra a média de 8% da cidade em geral.

A agricultura mal planejada

O Brasil perde, todo ano, toneladas de solos férteis por causa de uma agricultura mal planejada, aliada à prática das queimadas e dos desmatamentos. Junto com o solo, também se perde água, quando a erosão carrega sedimentos causando o assoreamento dos cursos d´água. Os produtos usados diretamente nas plantações e suas embalagens descartadas a céu aberto são levados até os rios, córregos e lagos, ou acabam infiltrando-se no solo, contaminando as águas subterrâneas.

O desperdício

A utilização da água se dá, em média, da seguinte forma:

Setor agrícola (com irrigação) - 60%
Indústrias - 20%
Abastecimento urbano - 20%
No Brasil, os índices de desperdício de água chegam a 40% em razão de problemas na tubulação e ligações clandestinas, entre outros. Além das perdas, há o desperdício e, para mudar esse péssimo hábito, é preciso que a sociedade reveja o seu comportamento no uso desse recurso que em algumas regiões brasileira já se encontra escasso.

O Distrito Federal

O Distrito Federal foi concebido para uma população de 500 mil pessoas, e atualmente possui mais de 2.100.000 habitantes, sem contar a área do entorno imediato. Esse aumento populacional está diretamente ligado à ampliação da demanda hídrica, já existindo déficit hídrico para algumas localidades, basicamente para aqueles assentamentos construídos sem planejamento.

"O desafio global e local para a recuperação e conservação da água, assim como a garantia do acesso universal a esse recurso indispensável para a vida, é enorme. Cuidar adequadamente das águas também não deve ser apenas um fim. A grandeza deste cuidado é um meio de vivermos num mundo melhor", afirma Denise Hamú.


Fonte: Assessoria de Imprensa WWF